Adolescente de 16 anos tem a vida salva no novo Centro de Trauma do Hospital Estadual Alberto Torres

Agilidade e atendimento especializado são as palavras de ordem no novo serviço, com completa dois meses esta semana. Protocolo usado na unidade é o mesmo que ajudou a reduzir em 50% os óbitos entre politraumatizados nos EUA.

b_800_600_0_00_images_stories_ASCOM_hospAlbertoTorres-Adolecente16anos_hosp_Alberto_Torres_-_centro_de_trauma_-_atendimento_43Aglaya Magalhães D’Ávila, de 16 anos, voltava para casa de uma festa quando o carro em que estava bateu em um poste e capotou. O resultado do acidente foram lesões no baço e no fígado da adolescente, que foi um dos primeiros pacientes operados no novo Centro de Trauma do Hospital Estadual Alberto Torres, em São Gonçalo, que completa dois meses esta semana. Aglaya faz parte de uma triste estatística. De janeiro a maio deste ano, mais de 1.600 jovens receberam atendimento médico após acidente de trânsito no estado do Rio de Janeiro, segundo dados do Ministério da Saúde.

– Essa paciente chegou bastante debilitada ao hospital, por isso o tempo era precioso para salvarmos essa vida – a chamada hora de ouro – e conseguimos devido a estrutura de excelência que temos no novo Centro Estadual de Trauma do Hospital Alberto Torres. Lá, seguimos protocolos  internacionais de abordagem e tratamento, aumentando a sobrevida do paciente – explica o coordenador de Trauma e Núcleos Especializados da Secretaria de Estado de Saúde, Rogério Casemiro.

A vida da adolescente Aglaya, moradora de Niterói, ganhou novo sentido após o acidente.

– Agora estou bem, mas o susto foi grande. Deu tudo certo na minha cirurgia. O que mais quero agora é poder voltar a estudar, por isso estou seguindo todas as orientações dos médicos – conta.

Novo Centro de Trauma – A unidade, inaugurada em 14 de junho, é uma das mais avançadas e modernas na área de traumatologia do país e o primeiro núcleo de referência no atendimento a pacientes politraumatizados no estado. Resultado de um projeto que começou a ser desenvolvido em 2010, com a consultoria técnica do Centro de Trauma de Baltimore, nos EUA, o Governo do Estado investiu R$ 6,2 milhões em infraestrutura e equipamentos na nova unidade.

– A rede pública de saúde fluminense passa a contar com a mesma política de atendimento de trauma que permitiu a redução de 50% no número de óbitos entre as vítimas politraumatizadas nos Estados Unidos. O trauma deve ser atendido por uma equipe multidisciplinar. Por isso, a implantação de um Centro de Trauma requer uma logística eficiente que envolve médicos dedicados, especialidades entrosadas e orientação de todas as equipes que fazem parte do atendimento, desde cirurgiões de trauma até os terapeutas respiratórios. Antes, o paciente baleado, o enfartado e a vítima de acidente de carro entravam no hospital pela mesma sala vermelha da emergência. Agora, temos um serviço especializado voltado pra essas vítimas politraumatizadas – ressalta o secretário de Estado de Saúde, Sérgio Côrtes.

Treinamento internacional – Além do Centro de Trauma de Baltimore, na Universidade de Maryland, considerado referência em todo o território norte-americano para casos de politraumatismo e também para atendimento ao presidente Barack Obama, os profissionais brasileiros do Centro Estadual de Trauma do Hospital Alberto Torres foram treinados também no Ryder Trauma Center, da Universidade de Miami, e no Children’s Hospital, dedicado à criança em Washington.

– Em geral, o atendimento no Brasil segue uma lógica linear. Todos esses procedimentos previstos pelo protocolo são muito importantes porque o objetivo maior é reduzir as chances de sequelas e o tempo de recuperação do paciente. Não existe no Brasil nenhuma unidade replicadora desse modelo e por isso fomos buscar fora, em institutos de excelência. Está provado que a unificação de protocolos de atendimento gera melhor resposta do paciente ao tratamento — frisa Casemiro.

A equipe médica preparada no exterior tem feito o papel de multiplicadora e vem utilizando as normas do protocolo internacional de atendimento para capacitar os demais profissionais do Centro de Trauma. No total, são 55 médicos, 26 enfermeiros e 102 técnicos de enfermagem. Entre as especialidades, ortopedia, cirurgia geral e vascular, anestesia, neurocirurgia, cirurgia pediátrico com formação em trauma e cirurgia torácica.

Hora de ouro – Os estudos mostram que se as vítimas forem socorridas em até uma hora — a chamada hora de ouro — após a ocorrência do trauma, correm menos risco de morrer ou ter sequelas graves. Por isso, o método internacional define que as ações devem ocorrer dentro de prazos definidos.

Outro diferencial no atendimento se refere à presença do anestesista antes mesmo do paciente entrar na sala cirúrgica. O trabalho de toda a equipe médica do novo Centro de Trauma terá as ações integradas por um sistema novo: o conceito de time. Cada profissional, dentro de sua atribuição, atuará de forma simultânea com os demais médicos, em casos como acidentes de trânsito, atropelamentos, quedas e demais lesões ocasionadas por traumas.

Números – Segundo dados divulgados pela Organização Mundial de Saúde em 2012, a mortalidade por trauma corresponde a 10% de todas as causas de morte no mundo. Todo ano 5,8 milhões de pessoas morrem vítimas de trauma, 32% a mais que a soma das mortes por malária, Aids e tuberculose, por exemplo. A maior parte tem de 5 a 44 anos. Os traumas respondem ainda pela maioria das incapacitações permanentes. Segundo Casemiro, atualmente chegam, em média, dez casos deste tipo aos hospitais da rede estadual de saúde a cada dia. A nova unidade, que vai atender somente casos de alta complexidade, aumentará a capacidade de resposta para este tipo de atendimento no estado.

 — A previsão é de que sejam atendidos em torno de dez casos por dia somente no Centro de Trauma do Hospital Estadual Alberto Torres — diz Casemiro.

FONTE: Governo do Estado do Rio de Janeiro
http://www.saude.rj.gov.br

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