Um ano depois, profissionais do Albert Schweitzer contam as lições da tragédia na Escola Tasso da Silveira

O dia 7 de abril de 2011 caminhava para ser um dia de rotina no Hospital Estadual Albert Schweitzer, localizado em Realengo. Mas a normalidade foi interrompida pela ação de um homem que invadiu a escola e começou a disparar contra as crianças. Por ser o hospital mais próximo do local, o Albert Schweitzer acabou sendo a porta de entrada para o atendimento das vítimas. O que mudou para sempre a vida de quem se envolveu no salvamento das crianças. Um ano depois do massacre, profissionais de saúde que estavam de plantão naquele dia afirmam que aprenderam muito com a experiência. 

A médica Regina de Fátima Alves Feijó, que trabalha na Clínica Médica do Hospital Albert Schweitzer, lembrou a mobilização de todos os colegas de trabalho. 

– Quando me dei conta, todo o hospital tinha descido para a emergência para ajudar – conta ela, revelando que essa união de médicos, enfermeiros, diretores, bombeiros e demais funcionários foi o resultado mais marcante do episódio. O diretor geral do HEAS, Dilson da Silva Pereira, concorda: 

– A experiência de termos atendidos àquelas crianças aumentou a autoestima da equipe, que hoje está mais unida. Acho que cada um, do maqueiro ao médico, percebeu a importância do nosso trabalho. Criamos um mecanismo de humanização e mudamos o fluxo de entrada da unidade para nos prepararmos melhor para situações de tragédia.

A técnica em enfermagem Rosilda Macedo dos Santos, de 52 anos, 19 deles trabalhando na unidade estadual, revela que naquele dia percebeu que se cada um contribuir com o que tem condições de fazer, uma vida pode ser salva. 

– O que mudou na minha vida daquele dia para cá foi que a gente aprende que é preciso ser humilde para conseguir atender a todo mundo, diz. Rosilda revela que ao ver que mais crianças chegavam feridas à unidade, teve uma crise de hipertensão. E que chegou a chorar durante o atendimento às vítimas. 

– É o limite do profissional e do humano. E não dá pra separar. Eu saía de perto, chorava e voltava para continuar ajudando as equipes. Nem me importei com a pressão alta.

A estudante Renata de Lima Rocha, uma das vítimas atendidas na unidade e a primeira a receber alta depois do ataque, ainda faz acompanhamento psicológico e da lesão que sofreu. Para a mãe de Renata, a dona-de-casa Vera Gomes, a palavra superação é a que melhor define o ano que se passou, mas ainda dói lembrar da tragédia. 

– Foi um ano muito difícil, ainda choro com tudo aquilo. A Renata mudou muito, teve muita dificuldade nesse período. Procuro esquecer, porque tocar no assunto ainda é uma dor muito grande.

FONTE: Governo do Estado do Rio de Janeiro

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